O "Incidente de Murmansk"




O chamado "Incidente de Murmansk" foi um dos episódios mais tensos e dramáticos da Guerra Fria, ocorrido em 1984. Na ocasião, o SR-71 nº de cauda 61-7974 da Força Aérea dos EUA esteve a minutos de se espatifar no Mar de Barents após sofrer uma pane total dos motores enquanto espionava a Frota Naval Soviética na Península de Kola.

A Missão

O jato decolou da base de Mildenhall, na Inglaterra, pilotado por Joseph Matthews e com o oficial de sistemas de reconhecimento Curt Osterheld a bordo. O objetivo era voar a Mach 3.2 a uma altitude extrema de cerca de 25.000 metros para fotografar e monitorar os novos submarinos nucleares soviéticos da classe Typhoon baseados em Murmansk.

Ao se aproximar do ponto crítico da rota perto de Murmansk, o motor direito sofreu uma falha aerodinâmica conhecida como "unstart" — uma perturbação violenta no fluxo de ar que fez o avião guinar para o lado de forma brutal, dando a sensação de estar "andando de lado" na alta atmosfera. Para estabilizar a aeronave e conter o arrasto assimétrico, o piloto desligou o segundo motor. O piloto contou que a desaceleração foi como bater num muro de concreto.

Sem empuxo e no ar rarefeito, o Blackbird começou a descer rapidamente em direção às águas territoriais soviéticas. Durante minutos de extrema tensão, os pilotos caíram milhares de metros enquanto os radares de defesa aérea e seus mísseis SA-5 da União Soviética os rastreavam.

À beira de acionar os assentos de ejeção (o que significaria serem capturados ou morrerem congelados no Ártico), a tripulação conseguiu reiniciar manualmente os motores quando estavam a 5.400 metros de altitude. A força g foi intensa enquanto o piloto buscava nivelar o grande pássaro negro.

O piloto Joseph Matthews (à esquerda) e o operador de sistemas de
reconhecimento Curt Osterheld posam com seu Blackbird 



Como o SR-71 consumia muito mais combustível voando baixo e de forma ineficiente, eles quase ficaram zerados. “Não tínhamos combustível suficiente para tentar acelerar novamente, o que significava que tínhamos que permanecer voando baixo e em velocidade subsônica com os radares soviéticos nos acompanhando".

Com apenas 10 minutos de combustível, eles conseguiram encontrar e se conectar com um KC-135Q enviado as pressas para o REVO de emergência.

O caso foi mantido sob sigilo por anos e hoje é detalhado em relatórios e memórias da aviação militar como o relato do próprio Curt Osterheld documentado em portais especializados.

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