Lightning, o poderoso raio da RAF



Projetado na década de 1950 como um interceptador de defesa aérea, o English Electric Lightning se tornou um dos aviões mais icônicos da Guerra Fria devido ao seu desempenho extraordinário e design inovador.

O Lightning foi o primeiro e único caça supersônico puramente britânico capaz de atingir e manter Mach 2 (duas vezes a velocidade do som) em voo nivelado. O objetivo era interceptar e combater os bombardeiros soviéticos o mais rápido e mais distante possível.

Os projetistas temiam tanto o arrasto aerodinâmico que para manter a fuselagem mais fina possível, optaram por um arranjo singular, nunca visto antes. Os dois motores Rolls-Royce Avon foram dispostos de forma vertical empilhada (um sobre o outro) dentro da fuselagem. A tomada de ar para os motores foi disposta no nariz. Havia um grande cone, capaz de se mover para frente e para trás para se ajustar a velocidade Mach.




O interceptador era muito rápido, com uma velocidade máxima superior a 2.400 km/h e uma taxa de subida impressionante para a época (e mesmo para os dias atuais), sendo capaz de atingir sua altitude operacional em poucos minutos.
Suas asas possuíam um ângulo de enflechamento de 60 graus. Basicamente era uma asa em delta, mas com um grande recorte interno, o que dava ao avião sua silhueta agressiva e característica.

O Lightning é historicamente reconhecido como a primeira aeronave do mundo capaz de voar em regime de supercruzeiro, mantendo o voo supersônico sem o uso de pós-combustão, o que economizava combustível.




Apesar de suas qualidades incríveis, o caça tinha sérias limitações de projeto. O espaço interno sacrificado pelos motores empilhados resultava em tanques de combustível minúsculos. Suas missões eram curtas e dependiam frequentemente de tanques externos ou reabastecimento em voo. Curiosamente, por causa do longo trem de pouso principal que se retraia para dentro da asa, os tanques tiveram de ser dispostos sobre as asas.

Outra falha era o seu fraco armamento, transportando apenas dois mísseis ar-ar de curto alcance (Firestreak ou Red Top) e canhões de 30mm, o que reduzia sua eficácia em combates prolongados contra múltiplos alvos. Além disso, seu sistema de radar era limitado, dependendo fortemente do controle e orientação do controle de terra para localizar os alvos.

Por ser inovador, sua manutenção não era fácil. O acesso aos motores e sistemas internos era extremamente difícil devido ao design compacto da fuselagem, exigindo muitas horas de trabalho em terra.




A English Eletric fabricou 337 unidades do interceptador entre 1959 e 1972. Deste total, 52 eram da versão biplace.

O Lightning serviu à Real Força Aérea britânica (RAF) até 1988. O modelo chamou atenção de vários países, inclusive o Brasil, mas só conseguiu dois contratos de exportação para Arábia Saudita e Kuwait. O modelo saudita (aposentado em 1986) era considerado a melhor versão, inclusive com capacidade de ataque ao solo.

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