Fantasma britânico
O McDonnell F-4 Phantom II desempenhou um papel vital na defesa aérea do Reino Unido durante a Guerra Fria, servindo tanto na Marinha Real quanto na RAF entre o final da década de 1960 e 1992.
O Phantom não foi a primeira escolha dos britânicos, mas sim o resultado de crises políticas, cancelamentos de projetos internos e necessidades táticas urgentes.
Na década de 1960, o governo britânico cancelou, por motivos econômicos e mudanças políticas, os seus mais ambiciosos projetos de caças, como o supersônico BAC TSR.2 e o Hawker Siddeley P.1154. Sem um substituto para suas frotas antigas, a solução mais rápida e barata foi comprar um caça pronto dos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, a Marinha Real precisava desesperadamente de um interceptador moderno para os seus porta-aviões. Como o F-4 já era um sucesso estrondoso operando nos porta-aviões dos EUA, o Reino Unido percebeu que adotar a mesma aeronave para a Marinha e para a RAF simplificaria a logística e cortaria custos.
O Phantom era um caça pesado e robusto. Ele combinava radar de alta potência com uma capacidade de carga gigantesca de mísseis e bombas, funcionando perfeitamente tanto para bombardear alvos terrestres quanto para patrulhar os céus contra bombardeiros soviéticos.
A compra gerou forte reação no público. Para salvar empregos e acalmar a indústria aeroespacial britânica, o governo impôs uma condição: os Phantoms do Reino Unido seriam modificados para usar motores Rolls-Royce Spey turbofan em vez dos motores originais.
Esses motores britânicos eram mais largos e potentes em baixas altitudes, ajudando o caça a decolar dos porta-aviões britânicos que eram bem menores. No entanto, a mudança exigiu um redesenho pesado da fuselagem, o que ironicamente aumentou o arrasto e reduziu ligeiramente a velocidade máxima final em relação ao Phantom original dos EUA, além de aumentar os custos de aquisição, contrariando justamente a desculpa usada para cancelar os projetis britânicos.
Após entrar em serviço em 1969, o Phantom foi inicialmente utilizado pela RAF em funções multimissão, atuando em ataque tático, reconhecimento e apoio aéreo próximo na Alemanha Ocidental (variante FGR.2).
A McDonnell e parceiros britânicos fabricaram 170 unidades, com a exigência contratual de 40% a 50% dos componentes estruturais e tecnológicos produzidos no Reino Unido.
A partir de 1979, com a aposentadoria dos porta-aviões tradicionais da Marinha, a RAF herdou os Phantoms navais (variante FG.1). Toda a frota britânica de F-4 foi então redirecionada exclusivamente para a interceptação e defesa aérea de longo alcance.
O Phantom superava o Lightning por ter uma autonomia muito maior, dois tripulantes para gerenciar os sistemas e a capacidade de disparar mísseis além do alcance visual (BVR). O modelo foi completamente retirado de serviço em 1992, sendo totalmente substituído pelo Panavia Tornado F3.


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