Blackbird de volta a vida?
Recentemente foi relatado que o SR-71, número de cauda 844 da NASA, desapareceu misteriosamente de seu local de armazenamento. Ao mesmo tempo, o atual administrador da NASA, Jared Isaacman, insinuou - durante uma conferência - de forma enigmática planos para um novo avião experimental de alta altitude e velocidade, com a silhueta de uma aeronave que imediatamente evocou comparações com o famoso SR-71 Blackbird, suscitando uma enxurrada de comentários de que o lendário pássaro estaria sendo trazido de volta a vida.
O Blackbird era o mais próximo que se podia chegar de tecnologia alienígena há mais de 60 anos, e mesmo hoje, não existe nada parecido em operação. No entanto, ele permanece inativo há quase três décadas. Grande parte da expertise que o construiu, deu suporte e operou, infelizmente, se perdeu.
O processo de engenharia e os aprendizados logísticos envolvidos em uma possível reativação do SR-71 Blackbird pela NASA podem ser tão valiosos quanto os próprios dados de teste de voo coletados
Mas quando se trata de realizar engenharia reversa parcial de uma estrutura de aeronave para a qual não há suporte e poucas, ou nenhuma, peça de reposição, a comunidade altamente secreta de exploração de material estrangeiro (FME - foreign materiel exploitation) dos Estados Unidos poderia potencialmente dar uma mãozinha.
Operando nas sombras, eles conseguiram não apenas remontar e colocar em operação aeronaves totalmente estrangeiras, desvinculadas das cadeias de suprimentos norte-americanas, como também mantê-las em funcionamento por anos em total sigilo. Além disso, fizeram isso muito antes do advento da prototipagem rápida e dos recursos de engenharia digital da atualidade. Imagine o que eles podem fazer agora. Poderiam ser uma fonte valiosa para a NASA, auxiliando em seu projeto muito menos sensível, porém singularmente similar. Este é apenas um exemplo entre muitos de como o governo e a indústria poderiam se unir para apoiar e se beneficiar do programa de revitalização do SR-71.
Durante seu auge, a cadeia logística do SR-71 era uma das mais complexas já criadas. Ela deu suporte ao Blackbird, bem como ao seu antecessor, o A-12, por quase meio século. Restabelecer essa cadeia de suprimentos seria um exercício extremamente desafiador, porém recompensador, que poderia ter grandes impactos em toda a indústria aeroespacial, além de outras.
Então, como podemos usar todas as capacidades que temos hoje para impulsionar a manutenção da aeronave de mais alto desempenho de uma Era de réguas de cálculo e mesas de desenho?
A ideia de colocar aeronaves fora de produção de volta a vida também não é estranha às forças armadas dos EUA. O programa SR-71 da NASA poderia servir como um guia para melhor avaliar tais propostas e seus custos, além de ampliar os limites de como isso pode ser feito de forma eficiente.
O mesmo pode ser dito sobre simplesmente manter aeronaves antigas (ou qualquer veículo ou sistema) operando por mais tempo e a um custo menor, aplicando tecnologias e práticas de ponta. A NASA pode criar o manual para isso, e esse manual pode acabar sendo mais valioso do que os testes de voo realizados por um SR-71 renascido.
De certa forma, parece que regredimos, ou pelo menos estagnamos em certas áreas da engenharia. As coisas simples se tornam difíceis e as difíceis se tornam mais simples. Colocar um Blackbird para voar novamente pode ajudar a explorar e possivelmente responder a essa e outras perguntas, além de ajudar a mitigar essas deficiências no futuro.
Mesmo que o SR-71 da NASA, atualmente inativo, nunca volte a voar, a simples tentativa de realizar esse desafio já seria considerada um sucesso.


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