Só o Hornet poderá manter as asas da Marinha

 



A aviação de asa fixa da Marinha do Brasil (MB) encontra-se em fase terminal. Menos de um punhado de velhos Douglas A-4 Skyhawk recusam-se em apagar a chama de uma ideia que levou décadas para se concretizar.

Em 1965, intensas disputas entre a MB e a Força Aérea Brasileira (FAB) levaram o Presidente Castelo Branco a uma decisão: cortar as asas da Marinha. Ao assinar o Decreto nº 55.627determinou que a Marinha operaria apenas aeronaves de asas rotativas, enquanto a FAB teria a exclusividade sobre todas as aeronaves de asa fixa, incluindo as que operavam a bordo do porta-aviões A-11 Minas Gerais.

Somente em 1998, quando o Presidente Fernando Henrique Cardoso assinou o Decreto nº 2.538, restabelecendo o direito da Marinha de adquirir e operar suas próprias aeronaves de asa fixa destinadas à defesa e ao ataque a partir de suas instalações terrestres ou de navios aeródromos.



Quando a MB retomou suas asas, ela pode explorar todo o seu potencial e criar doutrina, que agora está ameaçada de se tornar apenas mais um capítulo na história da Força. O pequeno A-4 Skyhawk já sente o peso da idade e precisa ser substituído imediatamente. E essa troca não pode ser após a retirada dos poucos caças, precisa ser agora.

A substituição não será livre de ônus financeiro. Um novo vetor leva anos para ser recebido e absorvido. Se queremos que a MB entre a década de 2030 já com a capacidade de projetar força sobre o mar, o "novo" caça precisa ser implementado o quanto antes.

Assumindo que a Marinha não vá optar 100% por drones, o único caça no mercado que pode atender no curto prazo e dentro de um orçamento modesto é o McDonnell F/A-18 Hornet.

Muitos dirão que o F/A-18 é um projeto velho, ultrapassado, mas considerando que o Hornet é da década de 1970, vale lembrar que o Skyhawk é do final da década de 1950.

Atualmente os operadores de Hornet são os EUA, Canadá, Espanha, Finlândia, Suíça, Malásia e Kuwait.

Desconsiderando os Hornets do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, ainda existem células em bom estado no mercado, especialmente os suíços e kuwaitianos. 

O motor General Eletric F404 do Hornet ainda terá por muitos anos suporte e peças. O mesmo pode-se dizer dos aviônicos. Além disso, o projeto que nasceu na Northrop e desenvolvido na McDonnell foi pensado desde o início com capacidade de crescimento. Graças ao seu barramento e geração de energia, novos sistemas eletrônicos e radar podem ser atualizados.

O Hornet, em que pese sua idade, é o unico que pode dar a MB no curtíssimo prazo a capacidade de manter a aviação de Caça viva dentro da realidade do orçamento da Marinha. Não se engane. Mesmo operando de bases na costa, um Hornet bem armado, com armas BVR e antinavio, pode forçar um potencial invasor a se manter longe da costa brasileira. 






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