GUERRA FRIA: A Força “V” de bombardeiros da Grã-Bretanha
A força “V” de bombardeiros da RAF foi, por longo período, a responsável pelo poder de dissuasão da Grã-Bretanha.
Sua característica principal era a rápida reação a qualquer ataque inimigo. Atrasada (em relação a outros países) no desenvolvimento de bombardeiros a jato, a Grã-Bretanha reverteu essa situação a partir da execução de quatro projetos de aeronaves de tamanho e potência semelhantes.
O Short SA.4 Sperrin era um excelente avião, mas só dois protótipos foram construídos. Os bombardeiros de maior importância foram o Avro 698 Vulcan e o Handley Page HP.80 Victor. Os projetos de ambos visavam a torná-los os mais avançados aviões a voarem à velocidade Mach 0,9 em altitudes superiores a 18.000 metros. Enquanto se desenvolviam essas aeronaves, outro projeto teve sua produção acelerada para atender às necessidades imediatas da RAF: o Vickers-Armstrong 660 Valiant.
O Valiant entrou em operação, no Comando de Bombardeiros, em janeiro de 1955. Equipado com quatro motores Rolls-Royce Avon 204, de 4.559 kg de empuxo seco cada, levava uma tripulação de cinco homens acomodados em seu nariz, numa cabine pressurizada. O compartimento de armas podia carregar até 21 bombas de 454 kg. A Vickers fabricou 108 aeronaves. A RAF equipou dez esquadrões. Alguns participaram de missões lançando de bombas de hidrogênio. O Valiant teve seu batismo de fogo em 1956 no canal de Suez.
Os dois bombardeiros que sucederam o Valiant – o Victor e o Vulcan – tinham linhas aerodinâmicas e características estruturais mais avançadas, com o objetivo de alcançarem velocidades maiores. Da mesma forma que o Valiant, seus motores também eram embutidos nas asas.
O Vulcan B.Mk 1 era equipado com quatro motores Bristol Olympus, cada um desenvolvendo 4.990 kg de empuxo. Já o Victor B.Mk 1, que entrou em serviço em 1958, possuía motores Armstrong Siddeley Sapphire, com empuxo igual ao Bristol do Vulcan. O Victor apresentava asas em crescente, com ângulos em três enflechamentos diferentes e cauda em forma de “T”.
As asas do Vulcan configuravam um delta, sem cauda horizontal. Ambos eram dotados de elegantes trens de pouso, com dezesseis pneus cada. Os compartimentos para as tripulações assemelhavam-se aos do Valiant. O Vulcan podia carregar até 21 bombas de 454 kg, enquanto que o Victor levava 35 bombas de igual potência.
FONTE: Máquinas de Guerra, Editora Globo, 1986




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