F-20 Tigershark; a ruína da Northrop

 




O F-5G/F-20 continua sendo um dos grandes “e se” da aviação de caça. Para entender seu fracasso, é preciso voltar ao F-5.

Na década de 1950, a Northrop desenvolveu um caça pequeno, leve, barato e fácil de manter. O resultado foi o F-5A Freedom Fighter, adotado em 1962 pelos EUA para equipar aliados através do Programa de Assistência Militar. Com 1.223 exemplares produzidos, tornou-se um sucesso.

Seu sucessor, o F-5E Tiger II, incorporou radar, motores mais potentes, aviônicos aprimorados e armamentos modernos, chegando a 1.417 unidades.

Apesar do sucesso, o F-5E tinha limitações, especialmente contra caças soviéticos equipados com mísseis BVR. Taiwan desejava justamente essa capacidade, mas o governo Nixon restringiu a venda de armas avançadas ao país para não prejudicar a aproximação com a China. O Departamento de Defesa, porém, incentivou a Northrop a desenvolver uma versão do Tiger capaz de utilizar o AIM-7 Sparrow. Surgiu o F-5G.




O projeto foi interrompido em 1978, quando o presidente Jimmy Carter bloqueou sua venda a Taiwan. A Northrop então voltou sua atenção ao F/A-18, mas o programa FX, criado em 1979 para desenvolver um caça de exportação menos capaz que os norte-americanos, ressuscitou o projeto. O F-5G foi profundamente redesenhado e transformou-se no F-20 Tigershark.

O novo caça recebeu um único motor General Electric F404, o mesmo do F/A-18, aumentando significativamente o desempenho. Alcançava mais de Mach 2, teto superior a 16.700 metros e elevada razão de subida. A aeronave tornou-se instável e recebeu comandos fly-by-wire, proporcionando excelente agilidade. Seu radar multimodo AN/APG-67 permitia detectar alvos a até 75 km e empregar mísseis Sparrow. Também podia utilizar Sidewinder, Maverick, bombas Mk.80 e dois canhões de 20 mm.

O primeiro F-20 voou em agosto de 1982 e apresentou excelente desempenho. Entretanto, a política norte-americana mudou com Ronald Reagan. Em vez de obrigar aliados a adquirir o caça de exportação inferior, Washington passou a autorizar a venda de F-16 e F/A-18. Assim, os potenciais compradores preferiram esperar pelos modelos melhores, com maior perspectiva de suporte, peças e atualizações.

A própria burocracia dos EUA prejudicou o Tigershark. O Departamento de Estado, responsável pelas exportações, não demonstrou empenho em promovê-lo, enquanto o Departamento de Defesa e a Força Aérea favoreciam o F-16, cuja produção em maior escala reduziria os custos. Tentativas de vender o F-20 à Guarda Nacional e às forças armadas norte-americanas também fracassaram. Israel ainda recebeu apoio para desenvolver o IAI Lavi, outro potencial concorrente.




Dois protótipos do F-20 foram perdidos em acidentes, com a morte dos pilotos, e a segunda tragédia, em 1985, praticamente encerrou o programa. A Northrop havia investido cerca de US$ 1,2 bilhão de recursos próprios e finalmente abandonou o projeto em 1986.

O fracasso do F-20, portanto, não resultou de deficiência técnica. Ao contrário, era um caça extremamente capaz, simples e relativamente barato. Seu maior problema foi político e comercial: os Estados Unidos já possuíam F-15, F-16 e F/A-18, aeronaves com maior potencial de crescimento e apoio governamental. Sem uma grande encomenda, o F-20 não poderia competir economicamente. Ironicamente, o Tigershark acabou sendo derrotado não por seus adversários soviéticos, mas por seu próprio país.


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