F-18L: quando a Northrop e a McDonnell entraram em conflito

 


Em 1979, a Northrop processou a McDonnell Douglas por fraude, quebra de contrato, concorrência desleal, espionagem industrial e tentativa de monopolização. As empresas eram parceiras no desenvolvimento do F/A-18 Hornet, mas a disputa envolvia o F-18L, versão terrestre que a Northrop considerava seu direito exclusivo de vender a forças aéreas estrangeiras.

Quando a Marinha dos EUA buscou um caça mais barato que o F-14 para substituir A-4, A-7 e F-4, o YF-17 ganhou nova oportunidade. Como Northrop e General Dynamics não tinham experiência suficiente em aviação embarcada, Northrop e McDonnell formaram, em 1974, um acordo para desenvolver variantes do caça.

Livre das exigências navais, o F-18L era cerca de 30% mais leve que o Hornet, com estrutura simplificada e sem asas dobráveis ou trem de pouso reforçado. Mantinha 90% dos aviônicos do F/A-18, mas oferecia melhor aceleração, subida e alcance. Para países sem grandes porta-aviões, parecia uma opção mais lógica e, em teoria, superior.




O problema estava no próprio acordo: Northrop e MD disputavam os mesmos clientes de exportação. A Northrop esperava que o Irã fosse o cliente lançador, mas a política do governo Carter impediu a venda. Depois, Canadá e Austrália escolheram o F/A-18A, em 1980 e 1981. Embora o F-18L apresentasse vantagens, nenhum país queria assumir o risco de comprar uma aeronave que ainda não existia fisicamente.

A Northrop acusou a McDonnell de sabotar o programa, restringindo o F-18L, prejudicando sua participação nas vendas e oferecendo versões terrestres do Hornet a seus clientes. Em 1979, iniciou um longo processo judicial. Após anos de disputas, as empresas chegaram a um acordo em 1985. A McDonnell pagou US$ 50 milhões e manteve a Northrop como subcontratada do Hornet e depois do Super Hornet.

O YF-17 Cobra (esquerda) é menos robusto que o F/A-18 Hornet


A Northrop encerrou o F-18L sem vender uma única aeronave. Esperar encomendas antes de investir evitou riscos financeiros, mas criou uma falta de credibilidade fatal: sem um cliente disposto a ser o primeiro, o caça nunca saiu do papel. O mesmo padrão se repetiria com o F-20 Tigershark.


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