Fishbed nicaraguense
A Força Aérea da Nicarágua (Fuerza Aérea Sandinista y Defensa Antiaérea / FAS-DAA) FAN nunca colocou em serviço nenhum caça Mikoyan-Gurevich MiG-21, embora pilotos e mecânicos nicaraguenses tenham sido totalmente treinados para voá-los.
O plano para a Nicarágua receber esses jatos supersônicos gerou uma das maiores crises diplomáticas e de Inteligência da Guerra Fria na América Central.
Treinamento Secreto
No início dos anos 1980, o governo sandinista firmou acordos com a União Soviética e Cuba para modernizar sua Força Aérea com jatos de combate. Cerca de 80 a 100 pilotos e técnicos nicaraguenses foram enviados secretamente para Cuba e para a Bulgária para receber treinamento completo de pilotagem e manutenção no caça MiG-21Bis.
O governo sandinista construiu uma pista gigante e hangares reforçados na base aérea de Punta Huete (conhecida como Panchito), projetada especificamente para abrigar e operar os caças soviéticos.
A Crise dos MiGs
Em novembro de 1984, satélites de Inteligência dos Estados Unidos detectaram um cargueiro soviético (Bakuriani) atracando no porto de Corinto, na Nicarágua. A CIA suspeitava que o navio carregava caixas contendo caças MiG-21 desmontados.
Algumas fontes de Inteligência da época apontavam que a Nicarágua chegou a receber de Cuba duas fuselagens incompletas ou desativadas de MiG-21 de versões antigas (provavelmente MiG-21F-13 ou PF) apenas para servirem como instrução estática em terra para o treinamento de mecânicos e equipes de solo. No entanto, essas células nunca possuíram motores operacionais, aviônicos de combate ou capacidade de decolar.
O governo do presidente Ronald Reagan considerava a introdução de jatos de combate avançados na Nicarágua uma ameaça inaceitável ao equilíbrio de poder na região e à segurança do Canal do Panamá.A Casa Branca declarou publicamente que, se os caças fossem desembarcados, os EUA realizariam ataques aéreos imediatos para destruir as aeronaves na pista e considerariam uma intervenção militar no país.
Para evitar uma escalada de guerra, a URSS recuou. Embora os MiGs nunca tenham chegado a voar na Nicarágua, a crise serviu para consolidar o forte apoio logístico de Moscou ao regime sandinista por meio do envio massivo de helicópteros Mi-24 "Hind" nos meses seguintes.

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