Míssil russo deixa um rastro de radiação
O míssil de cruzeiro russo 9M730 Burevestnik (designação da OTAN: SSC-X-9 Skyfall) utiliza um sistema de propulsão nuclear de ciclo direto com respiração atmosférica que deixa um rastro radioativo.
Essa conclusão foi alcançada por dois cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
Eles acreditam que esse projeto específico explica melhor a duração de voo alegada e as dimensões do míssil.
De acordo com essa avaliação, a operação funciona da seguinte maneira: primeiro, o míssil é lançado usando um propulsor de combustível sólido, que o acelera e proporciona o voo inicial. Em seguida, o motor nuclear principal entra em funcionamento.
Um compressor força a entrada de ar atmosférico no motor; o ar passa por inúmeros canais estreitos ao redor do combustível nuclear, é aquecido pelo calor da fissão nuclear e, à medida que se expande, é expelido pelo bocal. É esse fluxo que gera o empuxo.
A principal diferença entre este projeto e um motor de aeronave convencional é que o foguete não transporta uma grande quantidade de combustível químico para o voo principal. Seu alcance é limitado não pela quantidade de querosene ou outro combustível, mas pela vida útil da fonte de energia nuclear.
É precisamente por isso que o lado russo fala de um alcance quase ilimitado, enquanto as avaliações ocidentais associam o Burevestnik a um voo extremamente longo em baixas altitudes.
Ao mesmo tempo, essa compactação apresenta uma desvantagem crítica. Se o ar passar diretamente pelo reator, quase certamente carregará alguns dos subprodutos radioativos e os liberará na esteira do míssil.
A análise do instituto identifica esse esquema como o mais provável, mas também o mais poluente. O ciclo direto quase certamente resulta na liberação de material radioativo durante todo o voo.
Os pesquisadores também consideram improvável um ciclo indireto fechado — no qual o reator aquece um fluido refrigerante intermediário em vez do ar diretamente. Tal projeto exigiria dimensões maiores, maior massa e uma estrutura mais complexa, o que parece impraticável para um foguete dessa classe.
Portanto, é precisamente o ciclo direto que explica por que o Skyfall pode permanecer no ar por muito tempo, mas, ao mesmo tempo, representa uma ameaça de radiação ao longo de sua trajetória de voo.
Em outubro de 2025, durante um teste, o míssil ficou no ar por 15 horas, durante as quais percorreu aproximadamente 14.000 quilômetros.


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