Cessna A-37 Dragonfly: A Lenda Esquecida do Vietnã
O Cessna A-37 Dragonfly é uma aeronave de ataque leve norte-americana, desenvolvido a partir do treinador básico T-37 Tweet, o que lhe valeu o apelido de "Super Tweet". O modelo lutou no Vietnã com a Força Aérea dos EUA e Sul Vietnamita.
A aeronave também acumulou extensa experiência de voo - e combate - fora dos Estados Unidos. Muitas Forças Militares da América do Sul fizeram extenso uso dele e alguns ainda estão em serviço regular.
Desenvolvimento
No início da década de 1960, com o crescente envolvimento dos EUA no Vietnã , surgiu a necessidade de uma aeronave de contra insurgência (counter insurgency -COIN). As operações de COIN incluíam controle aéreo avançado (forward air control - FAC), reconhecimento, escolta aérea e missões de apoio terrestre.
Em 1962, o Centro de Guerra Aérea Especial da USAF considerou o T-37C como a plataforma ideal para essa função. Visto como uma opção promissora com as modificações necessárias, o serviço contratou a Cessna para a produção de dois protótipos. O YAT-37D foi produzido com asas mais curtas (três cabides em cada), tanques de combustível maiores nas pontas das asas, uma minigun da General Electric, aviônicos aprimorados e um trem de pouso mais robusto. O primeiro protótipo voou em outubro de 1964.
Apesar dos resultados positivos, o programa foi interrompido por falta de interesse. A decisão parecia definitiva, com um dos protótipos sendo enviado para um museu.
No Vietnã, as crescentes perdas de Douglas A-1 Skyraider renovaram a necessidade de uma aeronave COIN e mais uma vez a Cessna foi contratada para a produção de 39 jatos AT-37D, que posteriormente foram redesignados como A-37A, para testes.
Em 1967, para acelerar o desenvolvimento da aeronave, o A-37 foi enviado ao Vietnã para avaliações em combate.
Apesar de seu pequeno porte, o A-37 Dragonfly carregava uma quantidade impressionante de armamento. Localizada no lado direito do nariz da aeronave, havia uma única minigun General Electric GAU-2B/A de 7,62 mm. Outras munições incluíam bombas, napalm, um pod de minigun SUU-11/A e lançadores de foguetes. Com oito pontos de fixação – três sob cada asa e dois sob a fuselagem principal – o A-37 podia transportar até 1.360 kg de bombas, foguetes e mísseis.
Na ponta de ambas as asas estavam instalados tanques de combustível, e a aeronave era impulsionada por dois turborreatores General Electric J85-GE-17A. Cada um produzia 1.100 kg de empuxo seco, permitindo uma velocidade máxima de 800 km/h.
Batismo de Fogo
Os primeiros A-37A enviados ao Vietnã em agosto de 1967 realizaram missões de apoio aéreo aproximado, controle aéreo avançado, escolta de helicópteros e interdição noturna.
Esse batismo de fogo foi incomum. Como afirmou Lon Holtz, ex-piloto de A-37, F-4 e F-16: “Nenhuma outra aeronave jamais havia entrado em combate sem ter sido testada previamente. O A-37 foi para lá para provar seu valor em combate.”
Ao término da Operação Dragão de Combate (Combat Dragon), em dezembro de 1967, o A-37A havia realizado 3.000 missões sem nenhuma perda por fogo inimigo. Duas aeronaves foram perdidas devido a acidentes durante o pouso.
Dito isso, alguns problemas foram percebidos, principalmente em relação à falta de alcance e autonomia, o que levou a Cessna a desenvolver o A-37B.
Construído especificamente para essa finalidade, ao contrário da variante "A", ele apresentava tanques de combustível maiores, uma sonda de reabastecimento no nariz, uma fuselagem mais pesada e um motor mais potente.
Serviço durante a Guerra do Vietnã
Em combate, o A-37 possuía uma precisão milimétrica que outros aviões não tinham. Ao contrário de aeronaves que voavam em altas velocidades, ele era capaz de reduzir a velocidade de ataque para apenas 160 km/h. Isso resultava em um alcance médio de impacto de 14 metros de raio ao redor do alvo. Como comentou um controlador aéreo avançado: "Graças a Deus, agora tenho alguém que realmente consegue acertar o maldito alvo."
Durante a guerra, os A-37 foram utilizados pela Força Aérea sulvietnamita e pela Força Aérea dos EUA. No total, a aeronave realizou 68.471 missões entre 1967 e 1974 (algumas fontes apontam para mais de 160.000 surtidas de combate ), concentradas em regiões do Vietnã do Sul.
Apesar de ter participado bravamente da guerra aérea, o A-37 foi amplamente ofuscado em favor dos "pesados" aviões, como o F-4 Phantom II, o F-100 Super Sabre e o F-105 Thunderchief.
Após o conflito, o A-37 continuou em serviço na Guarda Aérea Nacional e na Reserva da Força Aérea, antes de ser substituído pelo Fairchild Republic A-10 Thunderbolt II.
Na América Central e do Sul
Além do uso no Vietnã, o A-37D foi amplamente utilizado na América Central e do Sul. Exportado para muitos países na década de 1970, a aeronave se adequava perfeitamente às necessidades das Forças Aéreas latino-americanas, principalmente para operações COIN e combate ao narcotráfico.
Em 1983, 21 A-37B e nove OA-37B foram vendidos à Força Aérea Salvadorenha para substituir os antigos Dassault Ouragan. A aeronave foi amplamente utilizada durante a Guerra Civil Salvadorenha, que terminou com apenas nove unidades ainda operacionais. Atualmente, três países operam o A-37: El Salvador, Honduras e Peru.
FONTE de pesquisa: https://www.warhistoryonline.com/aircraft/cessna-a-37-dragonfly.html




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