Adeus ao Guerreiro!
O Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos realizou no dia 3 de junho cerimônia alusiva à retirada de serviço do AV-8B Harrier II, o jato de decolagem e pouso vertical que foi um ícone da aviação naval por 55 anos, um dos favoritos dos espectadores de shows aéreos e, certa vez, tema de um controverso comercial de TV da Pepsi.
A história de como as forças armadas norte-americanas se envolveram no programa é pouco conhecida, mas fascinante. Desde o início, o Harrier despertou imenso interesse nos "primos" britânicos do outro lado do Atlântico. Na década de 1950, a ameaça de guerra nuclear levou à criação de jatos de decolagem vertical, e a NASA, juntamente com a Força Aérea, a Marinha e o Exército dos EUA, logo perceberam que desenvolver foguetes parecia fácil em comparação com essa nova classe de aeronaves de combate.
Apesar dos muitos projetos, nenhum jato de decolagem vertical "made in USA" entrou em serviço.
As três forças armadas se envolveram nos testes do Hawker Siddeley P.1127 Kestrel, a primeira versão do que viria a se tornar o Harrier. Seis Kestrels foram enviados para os Estados Unidos para testes, sendo renomeados como XV-6A.
Diferentemente de outros projetos de jatos de decolagem vertical, o P.1127 utilizava quatro bocais de exaustão ajustáveis sob a asa, que giravam para fornecer impulso para voo vertical, para trás ou pairado, além do movimento convencional para frente.
O que impressionou os norte-americanos foi a simplicidade do jato. Com apenas um motor e sem a necessidade de um único elétron em seus controles de voo, o Kestrel logo se transformou no Harrier, e em 1968 o USMC decidiu comprar o projeto.
Curiosamente, dez anos antes do Kestrel existir, os EUA financiaram o desenvolvimento do motor Pegasus, graças a visão do Coronel Willis “Bill” F. Chapman, da Força Aérea dos EUA. Ele havia lutado na Segunda Guerra Mundial e presenciou a destruição de dezenas de bombardeiros B-25, primeiro por uma erupção vulcânica e depois por um ataque da Luftwaffe. Ele sabia que mísseis nucleares poderiam ser muito piores.
Os EUA foi fundamental para a criação do jato de decolagem vertical britânico. Desde o AV-8A inicial, construído na Grã-Bretanha, até o AV-8B Harrier II de segunda geração, desenvolvido em conjunto com tecnologia predominantemente norte-americana, o Harrier encontrou mais uso e gerou mais empregos nos Estados Unidos do que na Grã-Bretanha.
Na década de 1980, houve tentativas de criar um novo sucessor supersônico, com a velocidade do F/A-18A Hornet e a capacidade de voo vertical do Harrier. Os norte-americanos recorreram a projetistas britânicos. Em 1981, a McDonnell Douglas propôs o P.1218, um jato imponente, com dois tripulantes, dois motores e a tecnologia mais recente, para suceder o F-14A Tomcat e o A-6E Intruder, mas o financiamento era limitado e o trabalho foi redirecionado para pesquisa com a NASA e com o tempo, se tornaria o programa Joint Strike Fighter.



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