Coreia do Norte busca espelhar o crescimento do setor de defesa da Coreia do Sul
Os fabricantes de armas da Coreia do Sul, recentemente apelidados de membros da indústria de defesa coreana (K-defense industry), são estrelas em ascensão no cenário internacional, assim como o K-pop e os K-dramas. Devido à guerra entre Rússia e Ucrânia, muitos países europeus aumentaram seus orçamentos de defesa e se tornaram grandes clientes da indústria de defesa coreana.
Do outro lado da moeda — ou da fronteira — a indústria de defesa da Coreia do Norte também tem um novo cliente importante: a Rússia.
Uma visita recente do líder russo Vladimir Putin a Pyongyang atraiu a atenção do mundo. A Rússia precisa de munição norte-coreana, enquanto a Coreia do Norte precisa enviar sua força de trabalho para a Rússia a fim de obter informações sobre tecnologias de defesa, como mísseis balísticos intercontinentais, mísseis balísticos lançados por submarinos e satélites.
Na Coreia do Norte, cerca de 500.000 trabalhadores e 300 fábricas da indústria de defesa são responsáveis por cerca de 30% a 60% da economia total da Coreia do Norte, aproximadamente US$ 10 bilhões. Cerca de US$ 700 milhões são destinados ao desenvolvimento nuclear e US$ 600 milhões ao desenvolvimento de mísseis.
Recentemente, a mídia norte-coreana mostrou abertamente a visita de Kim Jong Un a fábricas da indústria de defesa.
Normalmente, a mídia nacional não noticia instalações da indústria de defesa como tal, descrevendo-as como fábricas comuns. Mas a transparência desta vez demonstra a importância que Kim atribui ao setor.
As recentes interações de Kim com Putin e sua ênfase na indústria de defesa da Coreia do Norte em meio à guerra têm um claro propósito estratégico.
Em primeiro lugar, essas medidas visam servir como resposta à cooperação em segurança entre os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão.
Em segundo lugar, a Coreia do Norte se beneficiou ao fornecer armas à Rússia durante a guerra. Décadas atrás, durante a Guerra da Coreia, a União Soviética apoiou a criação do Exército Popular da Coreia, e o Exército Soviético serviu de modelo para o Norte.
Agora, a Coreia do Norte consegue apoiar a Rússia enviando munições e outras armas convencionais. A parceria oferece oportunidades para a força de trabalho norte-coreana viajar para a Rússia e aprender sobre tecnologias avançadas de defesa.
Pyongyang considera sua versão da indústria de defesa (K-defence) um motor para o desenvolvimento econômico. Do ponto de vista norte-coreano, a Rússia é apenas o começo, já que outros clientes em potencial podem seguir o mesmo caminho.
De fato, se a Coreia do Norte aceitar um convite da Rússia para participar de um exercício militar conjunto Rússia-China, isso representaria uma grande virada para o governo e uma mudança radical na arquitetura de segurança do Nordeste Asiático.
O pior cenário possível seria a exportação, por parte da Coreia do Norte, de armas de destruição em massa, incluindo, mas não se limitando a, ogivas nucleares.
A ambição de Kim Jong-un foi além da venda de acesso ao resort termal de Wonsan. Agora, a Coreia do Norte busca sua própria versão da indústria de defesa coreana.

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