KC-390 pode ser essencial para a USAF num conflito contra a China

 



Embora a Força Aérea dos EUA tenha dito publicamente que não tem interesse no cargueiro brasileiro KC-390 da Embraer, a verdade é que ela tem sim, mas não deixa transparecer.

Recentemente a Embraer e a Northrop-Grumman criaram um "Joint Venture" para aprimorar e oferecer ao Pentágono uma variante do multimissão KC-390 Millennium, a fim de fornecer capacidades avançadas de reabastecimento em voo para a Força Aérea dos Estados Unidos e nações aliadas.

Juntas, as duas empresas buscam atender à necessidade de emprego ágil em combate (Agile Combat Employment - ACE) por meio de investimento conjunto e foco na rápida entrega de capacidades para as forças armadas.

Atualmente, todos os jatos táticos da USAF utilizam o modo de reabastecimento aéreo por lança, no qual um avião-tanque se conecta a eles, geralmente em grandes altitudes, para reabastecer. Isso torna a estratégia ACE um tanto problemática, uma vez que os caças "saltam" de um aeródromo avançado e isolado para outro a fim de se manterem à frente do ciclo de direcionamento de alvos do inimigo e permanecerem dentro do alcance de combate.



Os aviões-tanque a jato exigem pistas longas e não reabastecem aeronaves em altitudes muito baixas. Além disso, o reabastecimento em altitude, mesmo em altitudes consideradas baixas pelos aviões-tanque de operações especiais da Força Aérea dos EUA (USAF), ainda ocorre a milhares de metros de altura. Isso os torna vulneráveis ​​à detecção de longo alcance e a defesas aéreas cada vez mais abrangentes. Isso é especialmente verdadeiro para um adversário como a China, o que tornará as operações de combate normais muito mais perigosas a distâncias muito maiores do que em conflitos anteriores, mesmo longe da área-alvo de um jato tático. Portanto, reabastecer em altitudes muito mais baixas, abaixo do horizonte de radar, contribuiria significativamente para mitigar essa crescente ameaça.

Num hipotético conflito na região do Indo-Pacífico, voar em alta altitude para reabastecer só será possível a longa distância, o que tornará a missão REVO cada vez mais perigosa. No entanto, um reabastecedor rápido e agil voando em baixa altitude, fazendo uso da curvatura da Terra para escapar a detecção dos radares em solo, fará o maior sentido e permitiria flexibilidade e ganho de tempo nas operações de combate próximas a linha de frente.

E é exatamente neste nicho que o KC-390 pode ser interessante para a USAF. No entanto, adquirir um modelo totalmente novo, mantendo o conceito de lança e receptáculo, é uma tarefa muito mais complexa do que adaptar a frota já existente. Pode-se argumentar que ambos os conceitos teriam espaço no arsenal da Força Aérea dos EUA, caso ela realmente invista em sua visão ACE, e o avião-tanque tático equipado com lança também poderia abastecer aeronaves de caça equipadas com sonda.

F-5M da Força Aérea Brasileira com sonda fixa


Para isso, os caças da USAF poderiam ser equipados com uma sonda de reabastecimento (REVO). Existem várias soluções, incluindo a instalação em tanques de combustível externos e tanques de combustível conformais, ou a colocação fixa na aeronave. Os futuros F-35A poderiam até mesmo ser equipados com um receptáculo e uma sonda de reabastecimento, já que esta última opção está presente nos modelos B e C.

Independentemente do que está por vir, este é um sinal encorajador de que a Força Aérea dos EUA parece estar, pelo menos, questionando seus sonhos com o ACE e tentando descobrir como alterações relativamente simples poderiam torná-la mais operacionalmente viável.







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