Se o F-5M irá até 2035, até quando irão os poucos A-4 da MB?
Recentemente surgiu a informação de que o Comando da Força Aérea Brasileira (FAB) está considerando manter o Northrop/Embraer F-5M Tiger II por mais tempo no serviço ativo, esticando sua desativação para o ano de 2035.
O motivo seria a baixa cadência de entrega do Saab F-39E Gripen por conta de um cronograma refém do Erário Público.
A FAB ainda pode se dar ao luxo de remanejar sua cada vez menor frota de voo, mesmo com a iminente retirada de serviço dos caças bombardeiros Embraer A-1M AMX. O mesmo não se pode dizer da Marinha do Brasil (MB) com sua diminuta frota de caças Douglas A-4KU, designados localmente como AF-1M, que estão com a vida util até 2030.
Atualmente, os AF-1M são os únicos Skyhawks em serviço ativo no mundo.
A Marinha está num dilema: se não repor uma aeronave, perde sua capacidade de "asas fixas" e tudo, simplesmente tudo pelo qual o Comando lutou para reconsquistar o direito de voar com asas fixas terá sido em vão.
A MB começou bem. Ela fez a coisa certa. Os Skyhawks adquiridos do Kuwait eram excelentes aeronaves e dispunham ainda de muitas horas de voo. O problema é que o tempo do pequeno A-4 já havia passado. Ele poderia ter sido adquirido, mas para segunda linha, não para a primeira.
A compra do Foch pode-se questionar, mas não se engane, os oficiais que deram o aval sabiam desde o início dos sérios problemas dele e apostaram. Sim, eles apostaram que haveria um fluxo de dinheiro capaz de sanar e sim, poderia ter sido feito. E, como hoje sabemos, teria custado muito menos consertar o A-12 São Paulo do que desativá-lo. Se em 2017 a MB tivesse investido aquele US$ 1 bilhão na reforma, o navio estaria ativo até hoje.
Acontece que a realidade é dura e crua. Porta-aviões e aeronaves embarcadas não são para desfile. Se não houver investimento contínuo, com fluxo de recursos garantidos, tanto o material quanto o capital humano se degradam muito rápido e para recuperar, é muito mais custoso.
Além disso, os estrategistas da MB pareciam iludidos na fantasia do Sea Gripen, uma fábula que encantou a muitos.
Então, o quê fazer? Existem soluções?
Sim, existem; a MB pode optar por continuar voando com um novo caça, operando a partir da Base Aeronaval de São Pedro D´aldeia.
E qual seria esse "novo" caça?
Em primeiro lugar, vamos definir que o "novo caça" da MB não será zero km de fábrica, mas sim de segunda mão. As opções são poucas se considerarmos apenas modelos navalizados e sim, a MB precisa pensar que irá operar novamente um porta-aviões no futuro próximo.
Vamos as opções:
McDonnell Douglas F/A-18C/D Hornet
De cara é a opção mais viável do ponto de vista financeiro. Existem dezenas deste modelo ainda em uso e centenas nos cemitérios que podem ser retrofiados a condição de voo. O problema é que são células usadas até o osso, o que na prática seria trocar um velho A-4 por um velho Hornet.
Boeing F/A-18E/F Super Hornet
Seria a melhor opção, com um custo/benefício dentro de um orçamento fixo, sem cortes. O problema reside exatamente aí, nos cortes...
O caça ainda está com a linha de produção aberta, mas a Marinha dos EUA certamente venderia células mais antigas, retirando-as diretamente dos esquadrões. O modelo permitiria a MB voar tranquilamente até 2035 com alguma relevância nas capacidades do jato para a moderna guerra aérea.
Talvez 12 novos de fábrica e 12 usados seria perfeitamente viável aos cofres...
MiG-29K Fulcrum
Não se pode descartar essa opção. Se for para manter a tal "doutrina operacional" e não perder as asas, por que não? Certamente o custo/benefício não será dos melhores...
Dassault Rafale M
Sonho. Simplesmente um sonho! Além de poderoso, elevaria o patamar e daria a MB o melhor caça em serviço no Brasil, suplantando o F-39E da FAB. Mas tudo isso tem um custo. O jato francês está muito além das capacidades orçamentárias da Marinha. Mas sonhar não custa nada...
Shenyang J-15
Outro sonho? Sim, outro, mas com certeza menos oneroso que o Rafale M. Surpreende a aproximação e dependência do governo brasileiro ao governo chinês ainda não terem feito uma parceria para colocar nas Forças Armadas brasileiras produtos militares chineses desse nível.
Lockheed F-35B
Como já disse o então Ministro da Defesa Nelson Jobim, "é demais pra nós..."
Lockheed F-35C
E novamente, como já disse o então Ministro da Defesa Nelson Jobim, "é demais pra nós..."
Tanto o B quanto o C forçariam a MB a uma condição que ela não é capaz. Não me refiro a capital humano, pois isso temos de sobra. Me refiro a orçamento. "No Bucks, no Buck Rogers"...
McDonnell AV-8C Harrier
Seria interessante, mas assim como o Hornet, é velho e caríssimo. Praticamente não existe mais suporte para o fantástico motor Pegasus. A Marinha da Indonésia tentou essa aventura...
Saab Sea Gripen F-39N
Fábula. Simplesmente uma fábula. É possível? Claro que sim. Pagando, tudo é possível. O Sea Gripen só seria minimamente viável se a FAB também o tivesse escolhido.Toda a produção seria sobre a versão naval, assim como a Dassault fez com o Rafale, onde o projeto começou pela versão embarcada. Isso ajudou a reduzir os custos de produção.
Desde o início o projeto estava fadado a existir somente no papel. Imagine o custo de produção e aquisição de uns 20 a 30 desses caças. Se o F-39E custa US$ 150 milhões a unidade, imagine quanto custaria um Sea Gripen...
Leonardo M-346 Master
Totalmente viável e não se pode desconsiderar. Sua aviônica daria a MB um belo salto tecnológico. Dois esquadrões estariam ao alcance do orçamento.
Boeing T-7A Red Hawk
A Marinha dos EUA poderá selecionar no futuro uma versão naval do substituto do Northrop T-28 Talon, mas assim como o M-346, ele não será capaz de operar embarcado e levará mais tempo do que a MB tem disponível para substituir o A-4.
Embraer A-29 Super Tucano
Não se engane, uma versão navalizada do Super Tucano é mais plausível e real do que parece e não se espante se a MB escolher um A-29N para substituir o A-4. É a opção mais realista dentro do orçamento e permite manter as "asas"...
Obviamente que não será apenas a compra do caça, mas sim um conjunto, contemplando armamento de ponta. De nada adiantará ter um Super Hornet ou Rafale M se estiverem desdentados.
Uma possibilidade bem real é a MB encerrar sua capacidade de asas fixas e se concentrar em drones de ataque e vigilância, com pilotos voando a partir de confortáveis cadeiras em confortáveis escritórios.














Interessante. Na minha opinião:
ResponderExcluirSem grana, Hornet.
Com grana, Super Hornet de segunda mão.
Sea Gripen sempre foi um delírio coletivo.
Os Hornet legacy dos EUA estão no osso, opções seriam os do Kuwait , S.Hornet da US Navy usados tbm estao muito surrados , teriam que ser novos , mas creio não haver recursos para tal , assim como Rafales
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